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Edgar Silva com a juventude

(data: 25.10.2015)

Edgar Silva, candidato à Presidência da República, participou ontem, num jantar organizado pela JCP, em que criticou duramente a «intervenção» de Cavaco Silva e sublinhou que o País tem uma alternativa.

As primeiras palavras de Edgar Silva foram de agradecimento para com tão caloroso acolhimento e saudaram o sentido de apoio ali presente, «apoio para todas as batalhas, para o longo percurso que vai daqui até às eleições que se realizam em Janeiro».

O candidato comunista à Presidência da República falou resumidamente do seu percurso de vida antes de «chegar a esta tarefa», referindo-se a si mesmo como um ilhéu profundo e recordando que foi padre católico, bem como a sua participação em diversos projectos de intervenção social, com crianças de rua, em bairros sociais, «projectos que tinham a ver com valores, com a defesa dos direitos humanos, a defesa da dignidade humana», disse.

«Mas, por mais generosa que possa ser a nossa intervenção, por mais bem intencionada que possa ser a dedicação à construção de determinados projectos, há um momento em que somos chamados a perceber que, isoladamente, se não tivermos um projecto mais fundo de transformação social, se não tivermos a força da organização que dê força material à profundidade da transformação que a realidade requer para ser mais justa, para ser radicalmente outra, a nossa intervenção, por mais generosa que seja, sem esta força material do colectivo acaba por ser precária e demasiado frágil». E acrescentou, arrancando os aplausos dos jovens presentes: «A nossa força é o colectivo, sem colectivo pouco vale a nossa generosidade e a nossa vontade.»

«Os direitos nunca são oferecidos; conquistam-se, luta-se por eles», destacou, enumerando em seguida algumas das grandes conquistas consagradas na Constituição, nomeadamente a nível laboral, e trazendo à lembrança de todos a recente decisão do Tribunal Constitucional sobre a celebração dos acordos colectivos de empregador público, para aferir a importância e as potencialidades contidas na Constituição.

«A Constituição corresponde a uma base política programática capaz de garantir para Portugal soluções de justiça, de desenvolvimento e de progresso», disse, acrescentando que, enquanto lei fundamental, «toma partido, tem um modelo de organização do Estado, de valores da democracia, de direitos fundamentais de cada homem e cada mulher que, para os sectores dos senhorios do regime, é muito difícil digerir». Não é por acaso que a direita tanto faz para a descaracterizar e alterar ou que os governos governam à sua revelia, «com a conivência do Presidente da República», acusou.

A este propósito, Edgar Silva afirmou que «nunca tivemos em Portugal um Presidente da República que estivesse profundamente comprometido com o dever de cumprir e fazer cumprir a Constituição. E já é tempo de termos em Portugal um presidente que assuma este fundamental compromisso». «Não basta ter na Presidência da República alguém que conheça a Constituição de frente para trás e de trás para a frente. O que é preciso ter neste momento em Portugal é alguém que assuma a defesa desta Constituição» – sem reservas mentais, destacou.

«Com esta candidatura queremos mobilizar desde logo os jovens para a ideia de que Portugal tem uma alternativa», disse o candidato comunista, que não aceita as inevitabilidades: «Nós não estamos condenados a ser o País mais injusto e desigual de toda a Europa»; «a esta democracia marcada pelos vícios da corrupção, do clientelismo, da desigualdade dos cidadãos no acesso à lei»; «a ser este País que destrói o seu aparelho produtivo»; «a ser um País em que, ano após ano, milhares de homens e mulheres são obrigados a procurar o seu futuro num país estrangeiro, quase em exílio forçado»; «a esta situação em que Portugal é refém de interesses estrangeiros e completamente submisso aos interesses de alguns agiotas, de alguns especuladores, dos que estão interessados em fazer de Portugal uma economia fraca, subserviente aos interesses de economias mais fortes».

A alternativa à situação que o País atravessa é «uma alternativa de justiça social, a que a Constituição da República tem todas as condições para dar fundamento e materializar», afirmou Edgar Silva quase no final da sua intervenção, mesmo antes de valorizar o papel dos jovens «nesta batalha, que vai muito para além das próprias eleições». «O vosso papel vai ser decisivo. Esta é a nossa candidatura. Vamo-nos todos mobilizar para um grande resultado, para que esta batalha traga novas possibilidades de futuro para o nosso País», disse.