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Estudantes saem à rua em defesa da Escola Pública

No passado dia 18 de Junho, na grande manifestação em defesa da Escola Pública, os estudantes estiveram presentes com a sua luta em defesa da Escola pública, gratuita e de qualidade para todos, ‪#‎AEscolaAQueTemosDireito‬. Por obras nas escolas, por manuais escolares gratuitos, contra os exames nacionais, contra as propinas, o Processo de Bolonha e as privatizações de escolas e de serviços, pela democracia nas escolas e o direito aos estudantes se organizarem e lutarem, por mais investimento no ensino, os estudantes saíram à rua, numa luta que continua “nas escolas e na rua”. A JCP saúda todos os que se mobilizaram, neste dia e todos os dias, em defesa da Escola Pública, da Escola de Abril!

Escola Profissional de Tondela

Na Escola Profissional de Tondela, tal como em outras escolas profissionais do nosso país, assiste-se à degradação das condições materiais e humanas, fruto dos cortes de financiamento praticados ao longo dos anos pelos governos do PS, PSD e CDS.

 

Os estudantes são confrontados com a falsa ideia de que recebem dinheiro para estudar, fruto dos subsídios que deveriam receber, mas, na verdade, para além de alguns estarem em atraso (como é exemplo a bolsa de materiais) os gastos que os estudantes vão tendo ao longo do ano, têm revelado que estudar não está ao alcance de quem quer, mas sim de quem pode. No Curso de Restauração, por exemplo, o subsídio de estágio só chega aos estudantes no final do estágio (em média 100 euros) e têm de ser estes a assegurar o custo das deslocações, refeições e ainda alguns materiais durante todo o estágio, têm de pagar 10 euros pela farda, e pelo calçado necessário para as aulas são pelo menos 35 euros. Perante um regime de faltas rígido, que ao ser ultrapassado obriga os estudantes a pagar 20 euros para poderem repor o módulo.

 

Sobre as condições materiais, na Escola Profissional de Tondela, o ginásio tem dimensões reduzidas, tendo em conta o número de turmas que usam o espaço em simultâneo, e os balneários são demasiado pequenos para que os estudantes se possam equipar ao mesmo tempo, e por vezes falta água quente para se tomar banho após as aulas.  Também a cantina tem uma dimensão reduzida para a quantidade de alunos da escola. Faltam computadores com condições necessárias para os estudantes do curso de Técnicas de Informação e Gestão e falta um bar na escola com preços acessíveis para todos os estudantes!

 

A Juventude Comunista Portuguesa defende um Ensino Profissional que seja digno, público, gratuito e de qualidade, no qual a formação integral dos estudantes deve ser a prioridade, bem como potenciar o desenvolvimento do concelho ou distrito onde se encontram os estudantes, e não estar ao serviço dos interesses dos grupos económicos regionais, que se aproveitam deste subsistema pelo facto de cada mais estudantes serem empurrados para cursos profissionais por não terem condições económicas e financeiras para ingressar no Ensino Superior. Os cursos não podem servir para formar mão-obra-mais facilmente explorável, servindo a lógica do aumento dos lucros dos grupos económicos.

 

A JCP apela aos estudantes do Ensino Profissional que nas escolas e nas ruas intensifiquem a sua luta pela direito a estudar, pelo Ensino Profissional público e gratuito a que têm direito, pelo reforço de financiamento por parte do Estado e pela dignificação deste sistema de ensino.

Ensino Profissional

A desvalorização do Ensino Profissional, que se traduz nos sucessivos cortes orçamentais que as escolas sofrem, tem-se reflectido na falta de condições que os estudantes enfrentam.
No IPTA – Instituto Profissional de Tecnologias Avançadas, a carga horária aumentou e, consequentemente, o tempo para a PAP — Projeto Aptidão Prática, imprescindível para a conclusão do curso — diminuiu. Com a extensão dessa mesma carga horária, é imposto aos alunos mais tempo de estágio, em que estes são, de uma forma geral, utilizados   como mão-de-obra gratuita. As salas onde os estudantes têm aulas são em contraplacado, não tendo condições.

 

Na Escola de Moda no Porto também existem problemas que decorrem da falta de financiamento. A Direcção da Organização Regional do Porto do PCP reuniu recentemente com a direcção da escola, onde tomou conhecimento da difícil situação em que esta se encontra devido a incompreensíveis atrasos na transferência de verbas para a escola. Segundo foi possível apurar na reunião, faltam reembolsos totalizando um valor de €282,806.75, pondo em causa a actividade da escola. O grupo parlamentar do PCP interveio sobre o assunto, reclamando do governo medidas urgentes para resolver este e outros problemas.
Só a organização dos estudantes e a sua luta poderá combater os entraves a um Ensino Profissional digno. No Porto, como no resto do país.