Desde 1988, são apenas 100 as empresas responsáveis por 71% das emissões de gases de efeito de estufa.

Por outro lado, a tentativa de penalizar os comportamentos individuais, responsabilizando o indívíduo em detrimento dos grandes grupos económicos, tem sido a estratégia dos centros do capital a propósito de problemas ambientais.

Partindo de problemas que o próprio sistema cria, tentam inverter o ónus da degradação ambiental e a responsabilidade da sua resolução e com isto criar ainda novas estratégias para a acumulação capitalista e aprofundar injustiças.

A fiscalidade dita verde assenta na lógica de que quem pode comprar bens ou serviços menos poluentes, paga menos taxa, quem não pode, paga mais. São, portanto, as camadas mais empobrecidas a pagar pelos grandes grupos económicos.

A questão ambiental não se resolve actuando sobre o consumo, com produtos verdes ou apelando à redução do consumo dito não-verde numa sociedade consumista. A resposta é política e social, não tecnológica e individual.

Sob a etiqueta “verde”, servem-se para favorecer processos de concentração de riqueza e não para resolver os problemas da humanidade. É realmente urgente, além da acção individual de cada um,uma outra resposta. Uma outra política de gestão de recursos de desenvolvimento científico e produção ao serviço dos interesses das populações e do país.

Muitas são as tentativas de aplicar o capitalismo à natureza, tentando apresentá-lo como sistema natural, inevitável e/ou reformável. NÃO É!

Com os mecanismos aplicados e apresentados como derradeira solução, como o mercado de carbono, por exemplo, uma grande empresa emissora de CO2, para ganhar créditos de emissão, poderá investir na criação de uma monoprodução florestal num país em desenvolvimento: continua a emitir e destroi, por cima, a floresta autóctone e a biodiversidade.

A mercantilização da natureza é mais um instrumento que o capitalismo utiliza para favorecer os processos de concentração e acumulação de riqueza, com a máscara de defender o ambiente. Os mecanismos implementados, muitas vezes resumidos a mera operação propagandística, não visam a resolução dos problemas ambientais E assume-se a lógica do pagar para poluir,  coloca-se a capacidade da Terra reciclar carbono nas mãos das mesmas corporações que estão a delapidar recursos e a degradar o ambiente, apaga-se a responsabilidade histórica dos países industrializados e divide-se a factura com os chamados países em desenvolvimento, limitando-os e e potenciando a dominação imperialista dos seus recursos.

A realidade confirma a necessidade de um sistema que racionalize a utilização de meios e recursos, para que sejam colocados ao serviço da sociedade.

A alternativa não está no sistema capitalista!

E nunca esquecendo que a situação a necessidade de um sistema que racionalize a utilização de meios e recursos, para que sejam colocados ao serviço da sociedade, é necessário apontar objectivos a curto e médio prazo como:

  • Diminuição da dependência dos combustíveis fósseis, que hoje satisfazem 80% da necessidades energéticas globais.
  • Valorizando o transporte público

  • Investindo no desenvolvimento cientÍfico-tecnologico de alternativas energeticas de dominio publico

  • Defender e recuperar os ecossistemas naturais

  • Defender a produção local, reduzindo a amplitude dos ciclos de produção e consumo, travar a liberalização do comércio mundial, diminuindo o consumo energético e de emissão de gases com efeito de estufa e com graves consequências no plano económico e social.

  • Garantindo ao Estado Central os meios materiais e humanos para a defesa zonas ecológicas sensíveis e das áreas protegidas – forma de combater a desertificação e o despovoamento

  • Combater a destruição ambiental ao sabor dos grandes interesses privados

TEMA, EDIÇÃO Nº 358 – JAN/FEV 2019

A Natureza e a ofensiva ideológica

por VLADIMIRO VALE

«Os capitalistas, tendo prontamente concluído que a poluição do ambiente traz o perigo de convulsões sociais, estão insistentemente a tentar – não sem sucesso – transformar o perigo em sua vantagem». «A Causa da protecção ambiental que é benéfica a todos fornece aos capitalistas novas oportunidades de roubar as massas.»

Cantinas Amarelas: novo conceito, o mesmo problema

06 de Março 2019 Coimbra

No dia 26 de Setembro de 2018 a JCP lançou um comunicado exigindo explicações sobre o modo de reabertura das Cantinas Amarelas, com a exigência, entre outras, de que estas tivessem refeição social. Estas cantinas reabriram no passado dia 28 de Fevereiro, e, apesar de um abaixo-assinado promovido pelos estudantes da Universidade de Coimbra, que contou com mais de 800 assinaturas, é agora certo de que não terá prato social. Isto só demonstra a falta de vontade e/ou incapacidade da UC de atender às necessidades dos estudantes.

Apesar da importância da reabertura destas cantinas, o problema das longas filas e longos tempos de espera manter-se-á, pois não existirá a refeição mais completa e mais barata, de que os estudantes mais precisam.

Mesmo persistindo o problema do subfinanciamento da Acção Social Escolar (ASE), graças às políticas de sucessivos governos PS, PSD e CDS, o mínimo que se exige à UC é que resolva de facto o problema essencial da falta de cantinas. Não só porque os estudantes e suas famílias carregam em si muito do financiamento do Ensino Superior (através das propinas, taxas e emolumentos), mas porque estudar com qualidade é um direito fundamental de todos, a UC deverá encontrar condições para que as Cantinas Amarelas tenham refeição social, pois só assim se começará a atenuar o problema gritante das filas e tempos de espera para almoçar.

A JCP apela à continuação da luta dos estudantes pela existência de prato social nas Cantinas Amarelas, e pela requalificação e abertura das cantinas encerradas

Direcção da Organização do Ensino Superior de Coimbra da JCP

Solidariedade com o Povo e a Juventude da Venezuela

A Juventude Comunista Portuguesa condena a escalada de ingerência promovida pelos EUA e os seus aliados contra a juventude e povo Venezuelanos.

Os acontecimentos dos últimos dias, e designadamente o não reconhecimento do presidente da Venezuela democraticamente eleito, Nicolas Maduro, são mais um grave passo na operação de desestabilização e bloqueio económico, financeiro, político e diplomático, expresso na aplicação de sanções, na promoção da violência no país, e mesmo na ameaça de intervenção militar, em afronta com a carta das Nações Unidas e visando atingir, antes de mais, a economia e as condições de vida do povo.

O imperialismo norte americano não perdoa a capacidade de resistência de um processo soberano, democrático e de conteúdo progressista que colocou as imensas riquezas da Venezuela ao serviço do desenvolvimento económico, social e cultural do povo e da juventude venezuelanos.

Quem defende a paz e o direito de cada povo a definir, livre de ingerências e interferências externas, o seu futuro, só pode ser solidário com a revolução bolivariana e com o povo venezuelano, no caminho que livremente escolheu de luta em defesa da sua soberania, do seu direito ao desenvolvimento e ao progresso social.

Hoje, mais do que nunca, é imperativa a solidariedade para com a defesa da soberania e independência nacionais da Venezuela e para com a resistência do povo venezuelano e a sua determinação em prosseguir o caminho das conquistas e avanços aberto pela revolução bolivariana.

É preciso que em cada país se multipliquem acções de solidariedade com o povo venezuelano e se denunciem as “velhíssimas” formas do imperialismo atacar países soberanos e os seus povos.

A JCP apela à solidariedade dos jovens Portugueses e do mundo com a juventude e o povo venezuelanos pelo fim do bloqueio e da chantagem dirigida pelo imperialismo norte americano. E afirma o direito dos povos a decidirem sobre o seu futuro, livres de ingerências e pressões externas.